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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Filmes alternativos fazem sucesso nas bilheterias

Cineastas norte-americanos independentes desenvolvem nova vanguarda na sétima arte

                                                Frances Ha – Greta Gerwig, Michael Zege e Adam Driver

Assim como a maioria das vanguardas artísticas, o cinema Mumblecore rompe com características usuais da realidade vigente, como os blockbusters Hollywoodianos, e aproxima-se do cotidiano jovem. Fundamentados em diálogos extensos e improvisados, as histórias se desenvolvem de maneira descompromissados e simples, sem pretensões aparentes para seduzir o espectador, no entanto logo sequestram suas atenções pela temática comum a vida habitual com grande poder de identificação.
O movimento cinematográfico começou a se desenvolver em 2001 com um pequeno grupo de jovens cineastas impulsionados pelas facilidades da tecnologia digital e pelo desejo de inovar nos assuntos abordados. Não demorou muito para esses filmes, sempre curtos e baixos orçamentos, tornassem-se muitos populares na cultura underground.
O primeiro filme lançado comercialmente foi “Funny Ha Ha” de Andrew Bujalski em meados de 2002, o qual obteve repercussão e prestígio na crítica. Normalmente rodados em 16 milímetros de filme, as obras permeiam o contexto jovem de amadurecimento e perda da inocência, com roteiros flexíveis muito abertos para mudanças e improvisações durante as filmagens, aproximando-se ainda mais da própria realidade.
As bases do Mumblecore são diretores clássicos conceituados no meio artístico como Bergman, Goddard, Rohmer, e também contemporâneos como Woody Allen e Noah Baumbach. Este por sua vez dirigiu “Frances Ha” estrelado pela maior representante da vanguarda Greta Gerwig, que após o sucesso entre cinemas alternativos passou a ser veiculado nos cinemas de todo mundo.
Outro motivo pela popularização do movimento foi a exibição da série Girls na HBO, a qual é inteiramente escrita, dirigida e interpretada por Lena Dunham, e destacou-se dentre as grandes produções do canal. O programa de mais de 850 mil telespectadores ganhou o Globo de Ouro de melhor comédia em 2013 e já está na terceira temporada.



                                                                       Gustavo Minho

domingo, 29 de setembro de 2013

Resenha Frances Ha

Frances Ha - Noah Baumbach


Não senti falta das cores, senti falta do francês. Também não estranhei a tecnologia interagindo com o cinema preto e branco; celulares, carros, computadores, tudo acinzentado, o que realmente me proporcionou estranhamento foi o inglês. Não sei ao certo o motivo, mas acho que “Frances Ha” deveria ser em francês, entretanto, todo o resto é excepcional.

Frances (Greta Gerwig), uma bailarina de qualidades medianas, é a construção do anti-herói. Atrapalhada, estranha e desajustada, só é aceita e compreendia por sua melhor amiga Sophie (Mickey Sumner). As duas dividem um apartamento em New York em perfeita harmonia e estabilidade, até Sophie se mudar. A partir dessa parte, o filme retrata os vários lugares por onde Frances vai morar, e ao mesmo tempo aborda aquela fase da vida quando não se sabe muito o que fazer do futuro.
O filme é leve e sutil, mas isso não o desqualifica, um minimalismo delicado.  Por ser uma obra do Mumblecore, os diálogos são bem naturais e sinceros, a temática é jovem e atual, e a história não é complexa e abstrata, um relato sobre a amizade.


Em termos técnicos, a direção é competente – talvez a melhor obra de Noah Baumbach – a fotografia é interessante, e escolha do preto-branco foi muito bem explorada durante o filme.

Gustavo Minho