Frances Ha - Noah Baumbach
Não senti falta das cores, senti
falta do francês. Também não estranhei a tecnologia interagindo com o cinema
preto e branco; celulares, carros, computadores, tudo acinzentado, o que
realmente me proporcionou estranhamento foi o inglês. Não sei ao certo o
motivo, mas acho que “Frances Ha” deveria ser em francês, entretanto, todo o resto
é excepcional.
Frances (Greta Gerwig), uma
bailarina de qualidades medianas, é a construção do anti-herói. Atrapalhada,
estranha e desajustada, só é aceita e compreendia por sua melhor amiga Sophie
(Mickey Sumner). As duas dividem um apartamento em New York em perfeita
harmonia e estabilidade, até Sophie se mudar. A partir dessa parte, o filme
retrata os vários lugares por onde Frances vai morar, e ao mesmo tempo aborda
aquela fase da vida quando não se sabe muito o que fazer do futuro.
O filme é leve e sutil, mas isso
não o desqualifica, um minimalismo delicado. Por ser uma obra do Mumblecore, os diálogos são bem naturais e sinceros, a temática é
jovem e atual, e a história não é complexa e abstrata, um relato sobre a
amizade.
Em termos técnicos, a direção é
competente – talvez a melhor obra de Noah Baumbach – a fotografia é
interessante, e escolha do preto-branco foi muito bem explorada durante o
filme.
Gustavo Minho


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